Turdus

Turdus é um gênero que reúne pássaros quase cosmopolitas e com canto bastante evoluído, constituem grupo de características homogêneas e hábitos alimentares onívoros. Frequentam pomares, quintais e até parques em cidades, tornando-se populares em todo o país. O termo sabiá deriva da língua tupi e significa “aquele que reza muito” em alusão ao rico repertório vocal desses pássaros. Além de frutos e sementes, consomem insetos e retiram minhocas do solo úmido em tempo de chuvas. Também, demonstram grande apetite por pimentas, tal como a pimenta cumari(Capsicum sp) e até costumam esfregar essas adstringentes pimentas na plumagem, em substituição ao uso de formigas para o ato de formicar. Durante o acasalamento, o casal defende seu território da intromissão de outros pássaros de forma muita agressiva. Constroem o ninho em forma de taça, composto por raízes e musgos, rebocado externamente por barro e preso aos galhos ocultos na folhagem. A tarefa de construção do ninho cabe à fêmea e enquanto o macho vigia o território de intrusos e predadores. As fêmeas põem ovos de campo azulado e pintalgado de castanho e cuida sozinha da incubação dos mesmos. Entretanto, após a incubação dos ovos, os ninhegos são alimentados pelo casal. Certas espécies como sabiá-ferreiro(Turdus subalaris), sabiá-coleira(Turdus albicolis) e sabiá-una(Turdus flavipes) são parcialmente migratórias. O sabiá-laranjeira(Turdus rufiventris) foi eleito como a ave símbolo nacional.(SIGRIST)

Turdus albicollis - sabiá-coleira


  Registros de sabiá-coleira no WikiAves

O sabiá-coleira mede cerca de 22 cm de comprimento. Apresenta sutil dimorfismo sexual, sendo as fêmeas adultas um pouco maiores que os machos, sendo sua diferenciação principal feita apenas pelo canto, que é característica dos machos.
É comum nos estratos inferior e médio de florestas úmidas e capoeiras altas, tanto nas baixadas como nas montanhas. Vive solitário ou aos pares, pulando no chão. É de difícil observação.

Presente em toda a Amazônia brasileira e de Alagoas ao Rio Grande do Sul, estando restrito, no Nordeste, à Mata Atlântica. Encontrado também em quase todos os demais países da América do Sul, com exceção do Chile e Uruguai.

Turdus amaurochalinus - sabiá-poca


  Registros de sabiá-poca no WikiAves

O sabiá-poca apresenta a característica mácula escura, parecendo ser negra em alguns exemplares, entre o olho e o bico. Além disso, a cabeça é mais achatada, parecendo que o bico está no mesmo plano da testa. O papo branco e os riscos variam conforme o indivíduo. Algumas aves parecem ter uma gola branca separando os riscos do peito. Logo que saem dos ninhos, os juvenis apresentam o peito e barriga todo pontilhado de bolas marrom-oliváceas, bem como as costas e asas pontilhadas de marrom claro. As penas das asas mantém essas características por mais tempo, provavelmente até o segundo ano de vida. Apresenta tamanho médio em torno de 21cm, olhos grandes com uma marca escura no loro, região que fica entre o bico e o olho dando a ele um ar de bravo, bico amarelado, longo, forte e pouco curvo, pernas cor de avelã.
Pousado ou no chão, possuem o característico hábito de balançar a cauda rapidamente na vertical. O piado de contato é traduzido por póca, nome tupim para barulho. Além desse chamado, um característico miado baixo.

Há ocorrência dessa espécie em quase todos os estados do Brasil e na Argentina. Seu período migratório vai dos meses de maio a agosto.

Turdus flavipes - sabiá-una


  Registros de sabiá-una no WikiAves

O macho do sabiá-una é preto com as costas e barriga de coloração cinza; a fêmea é marrom-oliváceo nas partes superiores e marrom-amarelado nas partes inferiores, com a garganta estriada de marrom-escuro.
Canto bem variado, rico em motivos dos mais diversos e de duração diferente. Capaz de imitar outras aves.
Vive na mata, em regiões montanhosas. É comum na copa e nas bordas de florestas, capoeiras, clareiras adjacentes e em plantações de café. Em regiões montanhosas da costa brasileira é geralmente a espécie de sabiá mais comum. Vive solitário ou aos pares. É difícil de observar, a não ser quando está se alimentando em árvores frutíferas. Canta normalmente do alto das árvores. Além do próprio canto, imita uma série de outras aves, porém, às vezes, de forma tão grosseira que é difícil distinguir qual pássaro está imitando. Migra durante o inverno, deixando as regiões serranas em busca de lugares mais quentes.

Presente em Roraima e da Paraíba ao Rio Grande do Sul. Encontrado também na Colômbia, Venezuela, Guiana, Paraguai e Argentina.

Turdus fumigatus - sabiá-da-mata


  Registros de sabiá-da-mata no WikiAves

A principal característica do sabiá-da-mata é a cor marrom uniforme, mais avermelhada nos lados e peito. Barriga branca no centro, mesma cor da base da cauda, embaixo. O estriado da garganta é menos notável do que nas outras espécies. Bico escuro.
Não apresenta dimorfismo sexual, sendo sua diferenciação feita apenas pelo canto, que é característica dos machos. O canto dessa espécie é considerado um dos mais bonitos de toda nossa avifauna.
Varia de incomum a localmente comum no interior e nas bordas de florestas, especialmente em áreas pantanosas e várzeas, à altura dos estratos médio e inferior. Também encontrado em plantações de cacau e clareiras adjacentes. É uma espécie raramente observada, sendo mais detectada pelo seu canto. Vive aos pares, pulando no chão ou em suas proximidades.

Presente na Amazônia brasileira a leste do Rio Negro e do Rio Madeira, em direção sul até Mato Grosso e Goiás, e na costa, do Pernambuco ao Rio de Janeiro. Encontrado também na Colômbia, Venezuela e Guianas.
A parte norte do Pantanal é o limite meridional de distribuição da população amazônica, com poucas localidades conhecidas na planície.
Possui também uma população na Mata Atlântica. A fragmentação da mata diminui sua ocorrência. É procurado como ave de gaiola, devido ao belo canto flautado, o mais agradável de todos os sabiás brasileiros. Com isso, a população atlântica apresenta problemas de conservação, estando ameaçada e restrita a poucas localidades atualmente.

Turdus hauxwelli - sabiá-bicolor


  Registros de sabiá-bicolor no WikiAves

O sabiá-bicolor é muito semelhante ao sabiá-da-mata(T. fumigatus), porém menor. Centro da barriga, crisso e coberteiras sub-caudais brancos.

Apresenta um comportamento discreto. Habita florestas.

No Brasil, está presente em grande parte da Amazônia.

Turdus ignobilis - caraxué-de-bico-preto



O caraxué-de-bico-preto possui um padrão cinza-oliváceo por cima. Garganta pouco rajada; peito cinza, ventre branco. Bico sempre anegrado uniforme.

Habita o cerrado, matas baixas e secas.

Ocorre nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

Turdus lawrencii - caraxué-de-bico-amarelo


  Registros de caraxué-de-bico-amarelo no WikiAves

Não há registro no site

O caraxué-de-bico-amarelo apresenta um pardo-oliváceo escuro por cima; garganta notavelmente rajada. Anel ocular amarelo. Bico amarelo de pona preta (durante a procriação) ou pardo-escuro.

Habita as florestas.

No Brasil é encontrado em grande parte da região amazônica.

Turdus leucomelas - sabiá-barranco


  Registros de sabiá-barranco no WikiAves

O adulto do sabiá-barranco apresenta o alto da cabeça arredondado, acinzentada nos lados e olivácea na parte alta, sem a mácula negra à frente dos olhos. Bico cinza escuro uniforme. O tom acinzentado domina as costas, tornando-se amarronzado nas asas. Peito acinzentado, com a garganta branca e listras cinza escuro bem definidas. Quando voa, às vezes mostra a área alaranjada da parte interna das asas. A parte inferior da cauda é clara. O juvenil com o dorso pintalgado de bolas amarronzadas, sem a garganta branca bem delimitada. Pontos marrons no peito e barriga. Pontos marrons no peito e barriga. Mede cerca de 22-23 cm. Não apresenta dimorfismo sexual, sendo sua diferenciação feita apenas pelo canto, que é característica dos machos.

Comum em todas as matas ciliares, matas secas, cambarazais e cerradões. Utiliza os capões de cerrado e cruza áreas abertas em vôos diretos a meia altura. Acostuma-se com ambientes criados pela ação humana, como jardins, pomares e áreas urbanas bem arborizadas. Canta somente na primavera, época em que acasala. Durante o resto do ano só emite vocalizações de alerta, especialmente ao entardecer quando disputam os melhores poleiros para passar a noite.

Presente no Brasil todo.

Turdus leucops - sabiá-preto


  Registros de sabiá-preto no WikiAves

Não há registro no site

Para o sabiá-preto, o macho é preto brilhante; bico e patas amarelos, olho branco. Enquanto a fêmea é parda, um pouco cinzenta na barriga.

É visto geralmente só ou aos casais. Habita as florestas úmidas de altitude.

No Brasil, está presente apenas no noroeste de Roraima e extremo norte do Amazonas.

Turdus nudigenis - caraxué


  Registros de caraxué no WikiAves

O caraxué é pardo, mais claro por baixo. Área amarela em torno do olho. Garganta rajada. Bico amarelo.

Habita as bordas de matas e áreas semi-abertas.

Ocorre nos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Piauí e Roraíma.

Turdus olivater - sabiá-de-cabeça-preta


  Registros de sabiá-de-cabeça-preta no WikiAves

O sabiá-de-cabeça-preta apresenta o macho preto da cabeça ao peito (pode ser bem pouco, caso a ave mostre rajas pretas na garganta). Bico e anel ocular amarelos. Ambos os sexos pardo-oliva por cima.

Habita florestas e capoeiras.

Está presente, no Brasil, apenas no extremo noroeste de Roraima.

Turdus rufiventris - sabiá-laranjeira


  Registros de sabiá-laranjeira no WikiAves

O sabiá-laranjeira tem plumagem parda, com exceção da região do ventre, destacada pela cor vermelho-ferrugem, levemente alaranjada, e bico amarelo-escuro. Não há dimorfismo sexual, pois, ambos são iguais. É ave de canto muito apreciado, que se assemelha ao som de uma flauta. Canta principalmente ao alvorecer e à tarde. O canto serve para demarcar território e, no caso dos machos, para atrair a fêmea. A fêmea também canta, mas numa frequência bem menor que o macho.

É comum em bordas de florestas, parques, quintais e áreas urbanas arborizadas. Vive solitário ou aos pares, pulando no chão. Em regiões mais secas é, de certa forma, restrito a áreas próximas à água.
É uma ave que convive bem com ambientes modificados pelo homem, seja no campo ou na cidade, desde que tenha oportunidades de encontrar abrigo e alimento.

Presente do Maranhão ao Rio Grande do Sul, é o sabiá mais conhecido do Sudeste, sendo menos numeroso no Nordeste.

Turdus subalaris - sabiá-ferreiro


  Registros de sabiá-ferreiro no WikiAves

O sabiá-ferreiro é muito mais ouvido do que visto. Passa seu tempo quase que exclusivamente nas matas, onde prefere os galhos baixos das copas das árvores.

No Brasil, as áreas de reprodução estão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro; no inverno migra em direção noroeste para o Mato Grosso do Sul e Goiás chegando até o sul do Mato Grosso, e em direção norte atingindo grande parte do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Referências externas